Suzana estava exausta. Era sexta-feira, última aula do dia. A turma conversava ininterruptamente. O barulho era ensurdecedor, mas Suzana com a cabeça deitada na carteira também trocava algumas palavras com as amigas Ana e Lavínia. O professor de Biologia acabara de entrar na sala. Ele amigavelmente, depois de conseguir silencio, disse que gostaria de saber qual curso cada um dos alunos tentaria no vestibular daquele ano. Cada um iria dizer o curso escolhido na ordem das fileiras, onde estavam sentados. Suzana havia decidido recentemente - devia ter no máximo uma semana - fazer o curso de Música. Era chato ver a reação das pessoas quando ela falava acerca de não querer tentar Direito, mas Música. Muitos consideravam estranha a escolha feita por ela. Depois Suzana passou a lidar bem melhor com a situação, mas neste dia em questão a jovem estava confusa. Quando caiu em si e percebeu que teria de dizer o curso escolhido na sala e na frente de todos, Suzana acreditou não estar preparada. Ficou tão nervosa, seu coração disparou, de uma hora para outra seu corpo esquentou e começou a transpirar muito. A maioria dos alunos dizia Direito e de repente chega a vez de Suzana, ela nem havia concluído seu pensamento sobre a situação. Mas, rapidamente resolveu ser ela mesma, ser sincera, não ter medo de ser julgada. Precisou de muita coragem, mas falou ''Música'', com o coração aos pulos e a voz trêmula. Foi uma surpresa para ela, o professor instantaneamente abriu um sorriso e disse ''Que lindo'', com os olhos fixos nela. Suzana não sabia o significado daquele sorriso, mas gostou de vê-lo. O silêncio quebrou-se. A turma toda sorriu e os alunos começaram a dizer ''que fofo'' e ''ownt''. O sentimento de Suzana foi surreal, foi mágico. Era como se finalmente ela tivesse encontrado o seu caminho e a decisão pelo curso, apesar de recente já estava fazendo sua vida mais feliz. Viver isto a fez bem. Foi um desafio. Foi crucial para responder milhões de questionamentos em sua mente. O contentamento não era devido a aprovação das pessoas, ela não precisava disso. A contextura da felicidade foi reconhecida pois a sensação de assumir a personalidade, o desejo, a coragem e a sua essência era maior do que qualquer medo. Suzana foi para a casa radiante. Foi uma manhã inesquecível, especial e muito feliz.
Mariana Souza
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